sábado, 16 de abril de 2011

Há uma certa altura da minha vida, meu vício por bebidas alcoólicas estava se tornando insustentável. Chegou uma hora em que eu torrava praticamente tudo o que ganhava com bebidas. Sempre depois dos programas eu fechava a noite me embebedando. Bárbara e Giovana me falavam pra buscar ajuda, que isso estava me matando, que eu precisava mudar a minha vida, mas eu não dava ouvidos.
Um dia, depois de passar a noite inteira enchendo a cara, passei muito mal, vomitei uns 10 litros naquela tarde, eu não agüentava mais, meu estomago doía, mas eu precisava me recompor porque o cliente da noite era chato e pagava bem, era o que pagava melhor.
Melhorei um pouco e fui pra casa dele. No meio da coisa comecei a passar mal de novo, um enjôo insuportável, corri pro banheiro e vomitei as tripas. Fiquei muito tempo vomitando. H. não era do tipo compreensivo e preocupado, não estava nem aí, não queria saber se eu estava mal, ele queria que eu desse o que ele tinha pagado e acabou. Foi me arrastar do banheiro pra que eu terminasse o que havia começado. Voltei pra cama cheirando a vômito, ainda enjoada e com o estômago doendo tanto que eu estava quase chorando. H. era um tipo bizarro que se excitava com essas coisas e queria mais e mais e mais. Até que uma hora tive uma vontade incontrolável de vomitar, mas ele não me deixou sair, só consegui virar pro lado e soltar tudo no chão. Quando olhei minha sujeira era sangue puro. Eu estava vomitando sangue! H. só me jogou pro lado dizendo “caralho, você ta morrendo”. Ele fez eu me vestir às pressas e me colocou pra fora de casa sem pagar. Peguei um táxi e fui pro hospital. Minha doença era o álcool. Passei a noite internada e no dia seguinte procurei o Alcoólicos Anônimos. Foi terrivelmente difícil chegar até lá, assumir meu vício, me livrar dos meus próprios preconceitos. É muito complicado não beber com a profissão que tenho, quase sempre rola bebidas nos programas e é muito difícil recusar ou só beber feito passarinho.
Tenho vivido uma dia de cada vez, já tive muitas recaídas, já fiquei muito mal tanto física quanto psicologicamente, já quis surtar, já quis beber até morrer, mas percebi que a vida é muito mais bonita quando tenho controle sobre ela e sobre minhas atitudes.
“Quero despencar em vertigem de dor até o fundo do poço, e quero subir gargalhando até o infinito supremo, e quero me largar feito uma canoa no mar, e quero e quero e quero mais”.

domingo, 10 de abril de 2011

Uma das histórias mais engraçadas com um cliente aconteceu com V. Ele era mauricinho de 16 anos, virgem mas que pagava de pegador. Comprou meu programa pra me exibir pros amigos num social na casa de um dele em Maresias.
Na festa só tinha casalzinho. Apesar dos meus 22 anos, conseguia passar por menos, todos acreditaram quandp]o eu disse ter 17. A noite toda foi dos casaizinhos dançando, se beijando e alguns mais afoitos trancados no banheiro ou se remexendo pelos cantos escuros. V. e eu passamos o tempo todo juntos, dançando e nos beijando. Eu me sentia uma pedófila, às vezes até ria sozinha.
Lá pelas tantas da madrugada, a música baixou e os casais foram para os quartos, mas ninguém foi dormir. De cada quarto se ouviam gemidos, a cama balançando, parecia uma competição e era. Já sozinhos no quarto, V. me pediu pra fingir que transavamos, me pediu pra gemer alto e gritar palavrões e o nome dele. Obedeci. A gente pulava na cama pra fazer barulho, se jogava na parede e no chão, derrubamos tudo, colocamos o quarto a baixo. Foi assim por quase 2 horas. Minha garganta já estava inflamando de tanto fazer aquele teatro, mas confesso que me diverti. Eu ria demais e ele também.
Depois que a casa ficou em silêncio, perguntei porque ele me pediu pra fingir ao invés de praticar o ato. Ele respondeu que era virgem e tinha medo de não conseguir me deixar daquele jeito. Eu ri e disse que se ele não começasse a praticar seria dificil mesmo deixar alguém assim realmente.  Confesso que queria ter uma experiência com aquele muleque mimado.
Dei uma aula particular pra ele e apliquei uma prova pratica logo em seguida. Ele demorou menos de 2 minutos pra terminar e tirou nota 6, mas saiu de lá se sentindo o "homem" mais poderoso do mundo.
"Obrigado, Bárbara".
"Por nada, V."
De manhã, vi os meninos do grupo rindo e dizendo à V. "você sempre ganha, como faz isso?"
Garotos...

Na minha profissão encontramos todo tipo de pessoas. Algumas podem nos parecer tão asquerosas que nos fazem querer sumir, mas também podemos encontrar pessoas encantadoras.
Um dos meus clientes fixos era D., um gay muito divertido. Quase toda semana ele pagava um programa só pra gente ficar conversando, ou sair juntos ou fazer qualquer coisa que não incluísse sexo. Ele tinha 47 anos e foi homossexual desde sempre, convivia há mais de 10 anos com o vírus da aids, ele já não andava muito bem, fazia o tratamento mas o seu estado estava se complicando e a expectativa de vida dele não era muito grande. Ele não tinha família nem amigos, só tinha a mim, a quem ele chamava de Grazinha. Depois de um certo tempo não tive mais coragem de cobrar pra estar com ele, ele se ofendeu mas concordou, apenas me dava alguns agrados materiais a cada saída nossa.
Ele era muito engraçado, me contava altas historias, viagens que ele já tinha feito pra países que ninguém se interessava em conhecer, os buracos onde se hospedava, a dificuldade de compreensão do idioma, as baladas, as festas. Eu ria o tempo todo, contava os dias pra chegar o programa dele. Ele era minha válvula de escape e eu a dele. Geralmente a gente passava a noite toda na casa dele bebendo e dançando. Quando ele estava melhor de saúde, a gente ia numa balada gls no centro, ele conhecia todos os funcionários e me apresentava como sua irmã. A gente dançava, ria e bebia, dançava, ria e bebia. Às vezes ele ficava com algum cara, iam pra casa dele e me deixavam sozinha na night. Eu fazia a alegria dos gays naquela balada, eles me adoravam.
D. além de ser divertido também era muito culto, me recitava Sartre e Proust, mas eu nunca entendia nada. Tentou me ensinar francês, mas não fui muito além do “comment tu t'appelle” e do “je t'adore”.  Ele me ensinou muitas coisas, como me vestir, como me portar, como comer, me apresentou novas músicas, novos filmes, novos livros, novas histórias.
Ele nunca falava muito sobre si mesmo, eu sempre insistia, mas ele sempre mudava de assunto. Até que um dia ele passou mal, sua imunidade estava muito baixa por causa do vírus e ele foi internado. Passou dois dias na UTI e quando foi pro quarto me contou como se contaminou.
Ele me contou que sempre foi fiel a seus parceiros, nunca traiu, mas foi traído e muito. Ele foi casado por 8 anos com um homem. D. era extremamente apaixonado pelo companheiro mas este, por outro lado, só estava interessado no dinheiro de D. e o traía constantemente.  Um dia D. cansou e se separou. Meses mais tarde descobriu ser soropositivo e muito provavelmente se contaminou graças as traições de seu antigo parceiro. Ele ficou tão desnorteado e com tanta raiva por ter sido usado por tanto tempo que começou a fazer sexo sem proteção com toda sorte de homens pelo puro prazer de passar a maldita a diante. Ele me contou que deve ter contaminado pelos menos uns 30, mas que estava arrependido e tinha pesadelos com esses homens moribundos por sua causa todas as noites.  
D. passou mais alguns dias no hospital e foi liberado, mas sua saúde ainda requeria muitos cuidados. Ele contratou uma enfermeira e eu sempre que dava ia visitá-lo. Ele já não respirava como antes, precisava fazer inalação todas as noites, estava muito magro e cansado, suas pernas não o obedeciam mais, as vezes ele não as sentia e caía. Ele sabia que sua morte estava próxima e quis beber a vida até o último gole. Ele já tinha sido muito rico, mas estava quase sem dinheiro, só restava sua casa, seu carro e um apartamento no litoral. Ele vendeu tudo, comprou um apartamento pequeno no centro e trocou seu carro por um mais modesto e me disse que íamos viajar, seria sua última viagem e ele queria a minha companhia. Fomos primeiro a NY, ele me mostrou seus lugares preferidos, por onde já tinha passado, por onde tinha vivido, viu e me mostrou sua vida e seu passado diante dos nossos olhos. Era outono e todo fim de tarde, a gente ia no Central Park deitar embaixo de uma árvore e ver o sol se por. Depois fizemos o mesmo em São Francisco e então fomos pra Europa. Paris, Londres, Roma, Berlim, Viena, Moscou, Madri, Veneza e por fim, seu último desejo, conhecemos as ilhas gregas. É o lugar mais lindo que já vi, duvido que exista paraíso mais bonito nesse nosso planeta. Ali, lavamos nossa alma, nas águas do Mediterrâneo.   
Quando voltamos, o estado de saúde de D. se agravou, fomos e voltamos várias vezes do hospital. Eu não tinha muito tempo pra ficar cuidando dele e a enfermeira se tornou essencial, se mudou pro apartamento dele e ficava 24 horas a seus cuidados. Ele não conseguia mais tomar banho sozinho, nem andar, passava o dia inteiro na cama, se alimentava por um cateter e usava sonda pra urinar. As sessões de inalação passaram a ser feitas 3 vezes ao dia. Era muito triste ver aquela cena. Eu sempre era otimista ao lado dele, ria, contava as historias de clientes, o que tinha feito na noite anterior, ele ria muito e eu também. Mas quando eu saía de lá chorava feito Madalena Arrependida. Eu gostava dele de verdade.
Na última semana do ano, ele foi internado às pressas, teve parada cardiorrespiratória, mas foi reanimado, passou 5 dias na UTI até que na noite de Réveillon ele se foi, virou orvalho, como ele mesmo dizia.

sábado, 9 de abril de 2011

Meu primeiro cliente foi o mais complicado pra mim. Tanto a Grazi quanto a Bárbara já tinham inaugurado a nova função e eu ainda estava sem coragem. Recusei alguns clientes pelo telefone dizendo que já tinha compromisso nos horarios solicitados. Uma vez, com o coração na mão, marquei hora com um cliente mas fingi que não estava em casa quando ele chegou.
Finalmente em uma noite, tirei forças de onde não tinha e resolvi ir até o fim. Marquei com S. às dez da noite no meu apartamento no Copan. Ele chegou no horario combinado, eu estava morta de vergonha, não conseguia olhar pra cara dele, fiquei imóvel, não sabia como agir. Ele não era nada atraente, muito alto, forte, calvo, cheirando a suor. Eu queria desaparecer dali. Ele, notando minha inexperiência, gostou da situação. Me abraçou e pediu calma, tentou me beijar mas quando senti aquele bafo que parecia que ele não escovava os dentes há dias, tive vontade de vomitar e disse "beijo na boca não". Então, ele começou a beijar meu pescoço dizendo "nos outros lugares você não tem como negar".
Eu estava morrendo de nojo, nojo dele, nojo de mim. Por um minutos pensei que se talvez bebesse um pouco seria mais fácil. Ofereci uma bebida a S., ele aceitou. Peguei a garrafa de vodca da Grazi na geladeira, mas o meu estomago estava tão revirado pelo asco que não consegui dar nem 3 goles e ainda deixei o homem ainda mais animado.
Ele pediu pra ir pro quarto, fui andando a passos lentos desejando que uma nave espacial me abduzisse naquele momento. A cada beijo, a cada toque, a cada palavra nojenta dele eu engolia a seco meu choro e meus soluços. Ele fez tudo sozinho, eu quase não me mexi. Me sentia a Geni do Zepelin. "Ele fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira até ficar saciado". Giovana do Zepelin.
Quando terminou, ele se vestiu, deixou o dinheiro e foi embora. Eu corri pro banheiro e me lavei com álcool, despejei um litro inteirinho, depois tomei um banho bem demorado. Quando voltei pro quarto e cheguei perto da cama senti o cheiro do suor dele. Vomitei as tripas no chão. Pensei que fosse morrer de tanto vomitar. Tirei a roupa de cama e joguei fora. Passei o dia seguinte inteiro chorando entre chás de boldo e tremendo a cada vez que o telefone tocava.
Desde que mudei pro Copan, frequento todas as tardes a cafeteria do prédio. Sempre via um homem por volta dos 40 anos, com cara de estrangeiro, sempre de terno tomando seu cappuccino no balcão. Ele sempre me olhava como se quizesse dizer alguma coisa, mas nunca trocamos uma palavra naquela cafeteria.
Numa tarde, um novo cliente ligou me pedindo pra passar o fim de semana na chacara dele no interior. No sábado de manhã, como combinado, ele veio me buscar em casa e, para minha surpresa, era o homem da cafeteria. C., era um alemão que morava há 20 anos no Brasil, gostava de criar cabras na sua chacara e não bebia nem fumava, o que me pareceu muito peculiar para alguém nascido em Berlim. Isso é tudo que sei sobre ele.
Quando chegamos na chacara, ele me mostrou as plantações e os animais que criava. Andamos a cavalo e, apesar do frio, tomamos um banho de cachoeira depois do riacho perto dali. Não tivemos nenhum tipo de intimidade, nem beijo, nem mãos dadas, nem abraços e muito menos sexo.
À noite ficamos sentados em frente a lareira ouvindo blues e bebendo vinho (ele abriu uma exceção para o álccol naquela noite). Nos animamos e dançamos até as 3 da manhã. Não sei de onde ele tirava tanta energia, eu já não aguentava mais dançar, meus pés estavam calejando. Quando cansou, ele me levou pro quarto, tirou a roupa e pediu que eu também tirasse a minha e deitasse na cama. Logo depois ele se deitou ao meu lado me abraçando de conchinha e assim ficamos por longos minutos. Com a curiosidade aguçada, perguntei "você não está com vontade?" Ele respondeu "vamos dormir, Bárbara".
Quando acordei encontrei um rico café da manhã a meu lado com um bilhete dizendo "o dia de ontem foi essencial na minha vida, você nem imagina o que fez por mim".
Fiquei intrigada, tomei o café e um banho e fui procurá-lo pelo casa. Não encontrei, a empregada me avisou que havia um motorista me esperando pra me levar de volta pra casa e me entregou um envelope com o dinheiro combinado.
Fiquei a semana inteira pensando naquele homem. Queria conhece-lo mais, me sentia diferente como nunca tinha sentido por nenhum outro cliente, mas ele nunca mais me ligou nem apareceu na cafeteria.
Um mês depois fiquei sabendo que naquela tarde enquanto eu voltava pra casa, ele se matou na cachoeira da chacara com um tiro na boca.

terça-feira, 5 de abril de 2011

Fazia uns seis meses desde que fomos morar no Copan e passei a ser conhecida profissionalmente como Grazi. Eu estava saindo da faculdade para almoçar com um cliente quando senti alguém me puxando pelo braço. "Então, Grazi, posso te pagar com vodca?" Sua voz era só ironia. Tremi, suei frio até ter coragem pra olhar pra trás. Era L., um colega de classe. Fiquei paralizada, não conseguia dizer uma palavra. Ele só riu e disse "te procuro".
Saí de lá apavorada, ele havia me descoberto, iria contar pra todo mundo. Eu estava perdida, não queria que ninguem soubesse das minhas escolhas. Depois do almoço voltei pra casa, tinha um cliente marcado para noite. Às 8, já de meia arrastão e cinta-liga, a campainha tocou. Abri a porta e era o L. Perguntei o que ele estava fazendo lá e ele respondeu "ué, marquei com você". Estremeci e disse "pode ir embora, L, com você não rola".
"Como não rola? Liguei ontem e você confirmou pra hoje a noite".
"Eu não sabia que era você."
"Ah, então, você faz distição de clientes?"
"Só pra quem não me conhece apenas como Grazi".
"Dá seu jeito, eu não saio daqui sem o serviço prestado".
"Posso me negar a prestar, é meu direito".
"Tudo bem, eu já imaginava que seria assim. Você tem o direito de recusar, mas antes quero te mostrar minha oferta".
Ele me ofereceu em dinheiro vivo o que geralmente demoro dois meses pra conseguir. A tentação bateu, seria só mais um cliente, iria tratá-lo como a qualquer outro, mas o orgulho também era grande. Eternos minutos de silêncio pensando numa resposta. Orgulho X aquela viagem + aquela bolsa + aquele óculos + aquela festa + aquele vestido + aquela garrafa de red lable = "vem, entra, o quarto é ali".

domingo, 3 de abril de 2011

Vou inaugurar o blog contando nossa historia e o que nos levou a chegar onde estamos. Giovana, Graziela e eu, Bárbara trabalhávamos juntas ganhando muito menos do achávamos merecido, mau dava para nosso sustento. Um belo dia de fim de primavera, consegui uma promoção dentro da empresa e a chance de morar sozinha. Aluguei um apartamento perto do trabalho e realizei o sonho de não passar mais de uma hora por dia amassada no metrô.
Tudo ia bem para nós três, até que em uma semana quente de janeiro nossos mundos desabaram. Eu não havia comunicado a empresa que estava morando há 15 minutos de lá para continuar ganhando o VT, fazia uma diferença e tanto no fim do mês. Não sei como, mas em pouquíssimo tempo fui descoberta e demitida por sacanear a empresa (cilada, Bino).  Antes de ver a cor do meu segundo salario com aumento, eu já não tinha como pagar o aluguel e a única alternativa era voltar pra casa dos meus pais (o que significava uma humilhação pra mim) e deixar todo o dinheiro que ganhei na demissão para a multa da quebra de contrato. Mas ainda sentia que um milagre pudesse acontecer...
Nesta mesma semana, Giovana chegou em casa depois do trabalho e levou o maior susto de sua vida. Seu marido a esperava no portão com três malas a seu lado. Ela, já desesperada, pensando que ele estava indo embora, pediu ao traste que reconsiderasse e ficasse, ele por sua vez, anunciou em alto e bom som a quem tivesse ouvidos que quem estava saindo de casa era ela e não ele. Giovana sem ter para onde ir, já que sua família morava no interior, decidiu passar a noite dividindo com pulgas e aranhas um quarto de hotel no centro velho da cidade.
Graziela acabava de começar o 3° ano de Direito, não estava sendo fácil pois estudava a duras penas graças a bolsa de 100% que havia conquistado. Como ninguém é perfeito, Grazi também tinha seus defeitos, e o pior deles era seu vício em álcool. Por vezes seu desjejum era meia garrafa de jurupinga com dois limões. Graças a seu vício maldito e as dividas que fazia para mantê-lo, ela ganhou a inimizade de muitas pessoas dentro da faculdade que conseguiram fazê-la perder sua bolsa. Grazi não sabia o que fazer pois seu salario não pagava nem metade da mensalidade.
No fim daquela semana negra, passei no meu ex-trabalho para resolver as questões burocráticas e encontrei minhas duas amigas com cara de velório. Saímos, então, para afogar as mágoas. Grazi insistiu para que fossemos ao bar próximo dali. Lá encontramos nosso (meu então ex) patrão saindo na sua BMW e anunciando sua viagem a Nova Iorque no fim de semana. A inveja e a cobiça bateram forte nos nossos corações. Lá pelas tantas, Grazi já havia exagerado na bebida e nos nossos bolsos. Convidei as duas para passar a noite no meu ainda lar no Edifício Copan. No caminho, nos deparamos com um anúncio colado no poste: “Serviço de acompanhante”. Olhamos para o anuncio e nos entreolhamos e sem dizer uma só palavra. Ali decidimos nosso futuro.
Como a vida nos ensina coisas que nunca imaginamos... três mulheres diferentes, vidas diferentes, passados diferentes, mas com o mesmo ideal: tentar se reerguer na vida, seja de um modo convencional ou não...

"Meia arrastão e cinta liga" não é apenas nossa história, e sim a realidade de muitas mulheres que encontraram saída na porta que todos creem ser a mais larga, mas que na verdade é muito estreita.