Há uma certa altura da minha vida, meu vício por bebidas alcoólicas estava se tornando insustentável. Chegou uma hora em que eu torrava praticamente tudo o que ganhava com bebidas. Sempre depois dos programas eu fechava a noite me embebedando. Bárbara e Giovana me falavam pra buscar ajuda, que isso estava me matando, que eu precisava mudar a minha vida, mas eu não dava ouvidos.
Um dia, depois de passar a noite inteira enchendo a cara, passei muito mal, vomitei uns 10 litros naquela tarde, eu não agüentava mais, meu estomago doía, mas eu precisava me recompor porque o cliente da noite era chato e pagava bem, era o que pagava melhor.
Melhorei um pouco e fui pra casa dele. No meio da coisa comecei a passar mal de novo, um enjôo insuportável, corri pro banheiro e vomitei as tripas. Fiquei muito tempo vomitando. H. não era do tipo compreensivo e preocupado, não estava nem aí, não queria saber se eu estava mal, ele queria que eu desse o que ele tinha pagado e acabou. Foi me arrastar do banheiro pra que eu terminasse o que havia começado. Voltei pra cama cheirando a vômito, ainda enjoada e com o estômago doendo tanto que eu estava quase chorando. H. era um tipo bizarro que se excitava com essas coisas e queria mais e mais e mais. Até que uma hora tive uma vontade incontrolável de vomitar, mas ele não me deixou sair, só consegui virar pro lado e soltar tudo no chão. Quando olhei minha sujeira era sangue puro. Eu estava vomitando sangue! H. só me jogou pro lado dizendo “caralho, você ta morrendo”. Ele fez eu me vestir às pressas e me colocou pra fora de casa sem pagar. Peguei um táxi e fui pro hospital. Minha doença era o álcool. Passei a noite internada e no dia seguinte procurei o Alcoólicos Anônimos. Foi terrivelmente difícil chegar até lá, assumir meu vício, me livrar dos meus próprios preconceitos. É muito complicado não beber com a profissão que tenho, quase sempre rola bebidas nos programas e é muito difícil recusar ou só beber feito passarinho.
Tenho vivido uma dia de cada vez, já tive muitas recaídas, já fiquei muito mal tanto física quanto psicologicamente, já quis surtar, já quis beber até morrer, mas percebi que a vida é muito mais bonita quando tenho controle sobre ela e sobre minhas atitudes.
“Quero despencar em vertigem de dor até o fundo do poço, e quero subir gargalhando até o infinito supremo, e quero me largar feito uma canoa no mar, e quero e quero e quero mais”.
0 comentários:
Postar um comentário