Vou inaugurar o blog contando nossa historia e o que nos levou a chegar onde estamos. Giovana, Graziela e eu, Bárbara trabalhávamos juntas ganhando muito menos do achávamos merecido, mau dava para nosso sustento. Um belo dia de fim de primavera, consegui uma promoção dentro da empresa e a chance de morar sozinha. Aluguei um apartamento perto do trabalho e realizei o sonho de não passar mais de uma hora por dia amassada no metrô.
Tudo ia bem para nós três, até que em uma semana quente de janeiro nossos mundos desabaram. Eu não havia comunicado a empresa que estava morando há 15 minutos de lá para continuar ganhando o VT, fazia uma diferença e tanto no fim do mês. Não sei como, mas em pouquíssimo tempo fui descoberta e demitida por sacanear a empresa (cilada, Bino). Antes de ver a cor do meu segundo salario com aumento, eu já não tinha como pagar o aluguel e a única alternativa era voltar pra casa dos meus pais (o que significava uma humilhação pra mim) e deixar todo o dinheiro que ganhei na demissão para a multa da quebra de contrato. Mas ainda sentia que um milagre pudesse acontecer...
Nesta mesma semana, Giovana chegou em casa depois do trabalho e levou o maior susto de sua vida. Seu marido a esperava no portão com três malas a seu lado. Ela, já desesperada, pensando que ele estava indo embora, pediu ao traste que reconsiderasse e ficasse, ele por sua vez, anunciou em alto e bom som a quem tivesse ouvidos que quem estava saindo de casa era ela e não ele. Giovana sem ter para onde ir, já que sua família morava no interior, decidiu passar a noite dividindo com pulgas e aranhas um quarto de hotel no centro velho da cidade.
Graziela acabava de começar o 3° ano de Direito, não estava sendo fácil pois estudava a duras penas graças a bolsa de 100% que havia conquistado. Como ninguém é perfeito, Grazi também tinha seus defeitos, e o pior deles era seu vício em álcool. Por vezes seu desjejum era meia garrafa de jurupinga com dois limões. Graças a seu vício maldito e as dividas que fazia para mantê-lo, ela ganhou a inimizade de muitas pessoas dentro da faculdade que conseguiram fazê-la perder sua bolsa. Grazi não sabia o que fazer pois seu salario não pagava nem metade da mensalidade.
No fim daquela semana negra, passei no meu ex-trabalho para resolver as questões burocráticas e encontrei minhas duas amigas com cara de velório. Saímos, então, para afogar as mágoas. Grazi insistiu para que fossemos ao bar próximo dali. Lá encontramos nosso (meu então ex) patrão saindo na sua BMW e anunciando sua viagem a Nova Iorque no fim de semana. A inveja e a cobiça bateram forte nos nossos corações. Lá pelas tantas, Grazi já havia exagerado na bebida e nos nossos bolsos. Convidei as duas para passar a noite no meu ainda lar no Edifício Copan. No caminho, nos deparamos com um anúncio colado no poste: “Serviço de acompanhante”. Olhamos para o anuncio e nos entreolhamos e sem dizer uma só palavra. Ali decidimos nosso futuro.
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