sábado, 9 de abril de 2011

Meu primeiro cliente foi o mais complicado pra mim. Tanto a Grazi quanto a Bárbara já tinham inaugurado a nova função e eu ainda estava sem coragem. Recusei alguns clientes pelo telefone dizendo que já tinha compromisso nos horarios solicitados. Uma vez, com o coração na mão, marquei hora com um cliente mas fingi que não estava em casa quando ele chegou.
Finalmente em uma noite, tirei forças de onde não tinha e resolvi ir até o fim. Marquei com S. às dez da noite no meu apartamento no Copan. Ele chegou no horario combinado, eu estava morta de vergonha, não conseguia olhar pra cara dele, fiquei imóvel, não sabia como agir. Ele não era nada atraente, muito alto, forte, calvo, cheirando a suor. Eu queria desaparecer dali. Ele, notando minha inexperiência, gostou da situação. Me abraçou e pediu calma, tentou me beijar mas quando senti aquele bafo que parecia que ele não escovava os dentes há dias, tive vontade de vomitar e disse "beijo na boca não". Então, ele começou a beijar meu pescoço dizendo "nos outros lugares você não tem como negar".
Eu estava morrendo de nojo, nojo dele, nojo de mim. Por um minutos pensei que se talvez bebesse um pouco seria mais fácil. Ofereci uma bebida a S., ele aceitou. Peguei a garrafa de vodca da Grazi na geladeira, mas o meu estomago estava tão revirado pelo asco que não consegui dar nem 3 goles e ainda deixei o homem ainda mais animado.
Ele pediu pra ir pro quarto, fui andando a passos lentos desejando que uma nave espacial me abduzisse naquele momento. A cada beijo, a cada toque, a cada palavra nojenta dele eu engolia a seco meu choro e meus soluços. Ele fez tudo sozinho, eu quase não me mexi. Me sentia a Geni do Zepelin. "Ele fez tanta sujeira, lambuzou-se a noite inteira até ficar saciado". Giovana do Zepelin.
Quando terminou, ele se vestiu, deixou o dinheiro e foi embora. Eu corri pro banheiro e me lavei com álcool, despejei um litro inteirinho, depois tomei um banho bem demorado. Quando voltei pro quarto e cheguei perto da cama senti o cheiro do suor dele. Vomitei as tripas no chão. Pensei que fosse morrer de tanto vomitar. Tirei a roupa de cama e joguei fora. Passei o dia seguinte inteiro chorando entre chás de boldo e tremendo a cada vez que o telefone tocava.

0 comentários:

Postar um comentário