terça-feira, 5 de abril de 2011

Fazia uns seis meses desde que fomos morar no Copan e passei a ser conhecida profissionalmente como Grazi. Eu estava saindo da faculdade para almoçar com um cliente quando senti alguém me puxando pelo braço. "Então, Grazi, posso te pagar com vodca?" Sua voz era só ironia. Tremi, suei frio até ter coragem pra olhar pra trás. Era L., um colega de classe. Fiquei paralizada, não conseguia dizer uma palavra. Ele só riu e disse "te procuro".
Saí de lá apavorada, ele havia me descoberto, iria contar pra todo mundo. Eu estava perdida, não queria que ninguem soubesse das minhas escolhas. Depois do almoço voltei pra casa, tinha um cliente marcado para noite. Às 8, já de meia arrastão e cinta-liga, a campainha tocou. Abri a porta e era o L. Perguntei o que ele estava fazendo lá e ele respondeu "ué, marquei com você". Estremeci e disse "pode ir embora, L, com você não rola".
"Como não rola? Liguei ontem e você confirmou pra hoje a noite".
"Eu não sabia que era você."
"Ah, então, você faz distição de clientes?"
"Só pra quem não me conhece apenas como Grazi".
"Dá seu jeito, eu não saio daqui sem o serviço prestado".
"Posso me negar a prestar, é meu direito".
"Tudo bem, eu já imaginava que seria assim. Você tem o direito de recusar, mas antes quero te mostrar minha oferta".
Ele me ofereceu em dinheiro vivo o que geralmente demoro dois meses pra conseguir. A tentação bateu, seria só mais um cliente, iria tratá-lo como a qualquer outro, mas o orgulho também era grande. Eternos minutos de silêncio pensando numa resposta. Orgulho X aquela viagem + aquela bolsa + aquele óculos + aquela festa + aquele vestido + aquela garrafa de red lable = "vem, entra, o quarto é ali".

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